Se o PSD "não for bem-sucedido". Passos mantém aberta a porta do regresso

Se o PSD "não for bem-sucedido". Passos mantém aberta a porta do regresso

"Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório".

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Passos Coelho reconhece a André Ventura "bastante mérito" e uma "iniciativa notável" | Tiago Petinga - Lusa

Pedro Passos Coelho admite um eventual regresso à vida política caso o PSD não seja "bem-sucedido" à frente do poder executivo. O cenário foi traçado na noite de domingo em entrevista à SIC Notícias, durante a qual o antigo primeiro-ministro voltou à carga com a ideia de que o partido "tinha obrigação" de explorar um acordo de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal.

"Se eu tivesse de equacionar um regresso à política ativa, tinha de corresponder à ideia de que eu tinha a obrigação e a possibilidade de fazer alguma coisa de diferente que não está a ser feito"
, afirmou Passos Coelho.O antigo governante manifesta a expectativa de que o PSD venha a ser "bem-sucedido" e evite o que descreve como a "armadilha política imensa" de oscilar entre entendimentos com o PS e o Chega.


"Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório, de fazer aquilo que o país precisa e eu achar que o poderia fazer. E se isso vier a acontecer eu ponderarei e tomarei a iniciativa, se for caso disso", insistiu.

Reiterando que, "nesta altura, não está candidato a nada", Passos voltou a propugnar que o PSD "tinha a obrigação", logo no arranque da legislatura, de procurar um acordo de quatro anos com o Chega e a IL - as três forças políticas, sublinhou, recolheram mais de 60 por cento dos votos nas últimas eleições legislativas.
"Se no fim de todo este período não for possível a estas três forças políticas apresentarem um suporte mínimo para reformas importantes que o país precisa de fazer, eu julgo que todos eles serão penalizados. Uns mais do que outros, mas todos eles serão penalizados", advertiu.

Quanto ao presidente do Chega, Passos reconheceu a André Ventura "bastante mérito" e uma "iniciativa notável".André Ventura é entrevistado esta segunda-feira à noite no Telejornal e na RTP Notícias - a primeira de uma série de entrevistas aos líderes partidários, ao longo da semana.


Embora reprove propostas do partido de Ventura como a redução da idade da reforma, o antigo líder laranja adverte contra a sua desresponsabilização: "Quanto mais se deixe o Chega fora de qualquer solução, mais provável é que o Chega se sinta muito à vontade para não ser testado nas ideias que está a defender. E para ganhar as eleições".Intervenções públicas? "Um dever"
Pedro Passos Coelho classificou também as intervenções públicas que tem protagonizado como "um dever" face às responsabilidades que assumiu enquanto primeiro-ministro
."Andou tudo demasiado tempo a olhar para o umbigo", afirmou o antigo líder partidário sobre os impasses do sistema político do país.

Portugal, advogou, esperava "uma mudança significativa" na governação a partir de 2024, que "tardou em perceber-se".

Relativamente à imigração, a título de exemplo, Passos fez notar que só ocorreram mudanças no segundo Executivo de Luís Montenegro "e bem, com a orquestração do ministro da Presidência, António Leitão Amaro". Na sua ótica "perdeu-se um ano" e o PSD acabou por passar a imagem de um partido a reboque do Chega.

Questionado sobre se saberia o que fazer se voltasse a estar à frente da governação, Pedro Passos Coelho devolveu: "Julgo que sim, mas não estou. Não sou eu que estou no Governo. É o doutor Luís Montenegro, que é presidente do meu partido".Passos deixou um elogio a Montenegro: "Foi um grande líder parlamentar. Um grande líder parlamentar".


Relativamente ao atual presidente da República, Passos Coelho começou por considerar que António José Seguro tem sido "muito cauteloso". Ainda assim, reconheceu que é preciso tempo.

Com uma farpa para Marcelo Rebelo de Sousa: "Não têm de andar a comentar o dia-a-dia como fazia o presidente anterior, que acho que cansou o país com tanto comentário a propósito de tudo e de nada, mas talvez pudesse merecer um bocadinho mais de atenção o que tem sido a intervenção do atual presidente da República", enfatizou, para adiante pôr de parte a perspetiva de uma candidatura a Belém.

"É um lugar que, com honestidade, a mim não diz nada. Eu sou um executivo", argumentou.

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